Quem tem roupa vai a Roma

Minha filha e eu nas ruínas do Coliseu
“Por que
gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo
que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa
alma se deleite com a gordura”
(Isaías 55:2).
Em 2012 deixamos o país onde
moramos por oito anos para morar na Europa, primeiramente na Itália. Como
sabíamos que não poderíamos levar muita bagagem, pois ainda não tínhamos um
lugar específico para morar, nos preparamos para levar o mínimo possível. Mas
como fazer para colocar oito anos de uma vida dentro de apenas algumas malas?
Com esse pensamento, oramos e
doamos todos os móveis, novos e de boa qualidade, e vendemos os eletrodomésticos,
pois sabíamos que na Europa a voltagem seria diferente. Compramos um pequeno
trailer onde guardamos apenas o essencial para que depois fosse despachado por navio.
Após algumas semanas de preparo
tínhamos seis malas, cada um de meus dois filhos tinha uma mala tamanho médio. Meu marido e eu
tínhamos quatro malas, duas bem grandes, com roupas e sapatos sociais, e outras duas
com roupas básicas para o dia a dia, no meu caso, um par de sapatos, duas ou três
saias, algumas blusinhas e roupa íntima.
Ao chegarmos na Itália ficamos
maravilhados. Aproveitamos e visitamos também a França, Espanha e Marrocos. Não
demorou muito e aquelas malas se tornaram um incômodo! Não
conseguíamos andar com tantas malas e ainda cuidar das crianças. Minha filha
mais nova, a Larissa, tinha apenas três anos e meio e o mais velho, o Logan,
cinco. Precisávamos segurá-los pela mão e ainda lembrá-los de empurrar as malas. Não
foi fácil!
Vista do nosso quarto para o local
em que o carro estava estacionado
Após alguns meses tentando viver
na Itália, descobrimos que não era aquilo que queríamos, então decidimos morar
na Inglaterra. Antes, porém, de partir, fizemos uma última viagem a passeio para conhecer
Roma. Quando chegamos ao nosso quarto de hotel, vimos que era bem pequeno e decidimos pegar somente as malas com a roupa básica e deixar as outras no
carro. No segundo dia de viagem, ao amanhecer, meu esposo foi revalidar o
cartão de estacionamento do carro, que estava na rua, quando teve uma grande
surpresa. O vidro do carro estava quebrado e adivinha? Nossas duas malas com
roupas sociais e uma mochila com vitaminas e remédios naturais tinham sido
roubadas! Quando meu esposo, Luciano, me deu a notícia fiquei tão triste que
não consegui segurar as lágrimas. De todas as roupas que possuía antes de me mudar,
separei para levar comigo o que eu tinha de melhor e doei o restante. Minhas
melhores roupas e sapatos foram levados embora! A mesma coisa também aconteceu com o
Luciano, incluindo o computador e o telefone celular dele que estavam dentro
da mala. Ai que tristeza! Ainda hoje me sinto triste ao lembrar desse
episódio!
Agradecemos a Deus, pois o carro,
muito pequeno, estava entulhado de coisas por todos os lados, mas os ladrões,
talvez com medo, apenas levaram o que estava no porta-malas. Aos poucos fomos
nos conformando e cheguei a conclusão de que eu não precisava de todas aquelas
roupas que eu carregava. Eram roupas que eu amava tanto que evitava usar para não
estragar! Eu sempre cresci tendo um apego muito grande por roupas e sapatos. Não
me importava com o resto, mas roupa sempre foi essencial. Ao me tornar
adventista lembro de ter lido na Palavra de Deus: 

“Por isso vos digo: Não
andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que
haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a
vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?” (
Mateus 6:25).

Mesmo assim, ainda continuava a
comprar roupas sem necessidade. Mudei minha forma de vestir depois da
conversão, mas a paixão por roupas não foi deixada para trás. Adorava
procurar por saias diferentes e não me satisfazia com poucas. Louvado seja Deus
por ter me ensinado naquele dia que não posso me apegar às minhas roupas, mas
unicamente nEle.
Estamos nesta terra somente de
passagem. Como minha família e eu estávamos apenas de passagem ao visitar aquela cidade, assim
todos nós estamos apenas de passagem neste mundo. Leia comigo o que Deus tem a nos dizer sobre isso:

“Não ajunteis tesouros na terra,
onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas
ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os
ladrões não minam nem roubam” (Mateus 6:19-20).

“O inimigo de Deus e do
homem está constantemente em atividade a fim de desviar os tesouros que
pertencem a Deus, e para agradar, e honrar e glorificar o instrumento humano.
As necessidades de minha família requerem isto e aquilo — dizem os homens — e
um artigo após o outro é acrescentado aos móveis da casa, ao vestuário, às
guloseimas para a mesa. Eles deixam de restringir seus desejos, quando, se o
fizessem, trariam bênçãos a si mesmos e a suas famílias” (Ellen White, MM Este Dia com Deus, p. 96).

Larissa e Logan com suas mochilas
Hoje quando saímos em viagem levamos
apenas o essencial, uma mochila nas costas com o básico. Pouco a pouco estamos
aprendendo a usar nosso dinheiro com sabedoria. Somente depois de colocarmos em
prática Isaías 55:2 foi que meu guarda-roupas diminuiu e aprendi a viver e a
ficar contente com a seleção de roupas que tenho, afinal de contas consigo usar
apenas uma saia de cada vez! Tenho buscado ensinar esse princípio para meus
filhos e quando vejo que está sobrando roupa nas gavetas incentivo-os a
separarem o que está a mais para ser doado. Até parece que tudo fica mais
limpinho, organizado e em paz, pois feliz é aquele que de coração doa.
No início de minha caminhada cristã, não compreendia a importância de colocar meu coração apenas e exclusivamente nas coisas celestiais. Mas passo a passo, pouco a pouco, Deus tem me ensinado a deixar para trás tudo o que é secundário e a me apegar apenas ao que é essencial, inclusive com relação ao meu guarda-roupa!

“Quando primeiro recebemos Jesus em nosso coração, somos como crianças na
religião; mas não devemos ficar sempre como infantis na experiência. Precisamos
crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo;
devemos alcançar a completa estatura de homens e mulheres nEle. Precisamos
avançar, obter novas e ricas experiências pela fé, crescendo em confiança,
ânimo e amor, conhecendo a Deus e a Jesus Cristo a quem Ele enviou” (Ellen White, MM Minha Consagração Hoje, p. 93).  

“A obra de transformação da
impiedade para a santidade é contínua. Dia a dia Deus opera para a santificação
do homem, e o homem deve cooperar com Ele, desenvolvendo perseverantes esforços
para o cultivo de hábitos corretos” (Ellen White, Atos dos Apóstolos, p. 532, 533).

Minha oração é que em Deus possamos
não somente ler e estudar a Sua Palavra, mas colocar em prática seus preciosos ensinamentos!
Por Luciana Riges
Mãe aprendiz do Logan, 6 anos, e da Larissa, 4 anos.

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