O Natal na vida campestre

Entre as datas
populares, o dia de Natal figura como uma das mais significativas. Em geral, é
um momento que proporciona reuniões de familiares e amigos, troca de presentes,
ações sociais em favor dos necessitados e parece despertar bons sentimentos nos
corações.
A vida campestre é
um presente de Deus. Não apenas para a qualidade de vida, mas por abrir os
nossos olhos para sonho de Deus para nossa vida eterna, começando hoje mesmo,
aqui. Dessa maneira, vemos como somos levados a reavaliar cada aspecto da nossa
vida e se efetivamente está em conformidade com a vontade do Pai. Vemos como
podemos, na prática, aplicar 1 Coríntios 10:31: “Portanto, quer comais quer
bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei
tudo para glória de Deus.
Quando menos
esperávamos, no primeiro Natal depois da nossa mudança, ficamos incomodados com
algumas questões relativas a esta data e descobrimos certos aspectos que nos
levaram a repensar nossas atitudes nesse período do ano.
Primeiramente, como
se é dito, o Natal refere-se ao nascimento de Jesus.  Esse ponto foi fundamental. Sabemos a data do Seu batismo,
morte, ressurreição, ascensão, início do sacerdócio no Céu, passagem ao santíssimo,
mas não sabemos o dia do Seu
nascimento! (Para saber qual a época do nascimento de Cristo, clique aqui)
Outro ponto: Quais
são as celebrações indicadas na Palavra de Deus? Desde o Éden, somos  chamados a celebrar semanalmente o
símbolo da Criação e da Redenção, o sétimo dia da semana, o santo sábado do
Senhor. “Lembra-te do dia de sábado para o santificar” Êxodo 20:8. Após a vinda
de Cristo, conforme Seu próprio exemplo e orientação, foi instituída a
celebração da cerimônia da comunhão, a Santa Ceia. Jesus não apresentou uma
data ou uma periodicidade específica. Apenas disse: “Fazei isto em memória de
Mim” (Lucas 22:19).

O próprio
aniversariante não deixou claro o dia do aniversário e nem o desejo de que
fosse celebrado. Contudo, ressaltou muitos outros aspectos da vida cristã que
deveríamos seguir. Viveu 33 anos aqui dando-nos exemplos práticos da vida
cristã que todos podemos e devemos viver integralmente, plenamente, todo o
tempo. “Porque Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós
também” João 13:15. Dessa maneira, entendemos que a memória da vida de Jesus
como homem e Seu exemplo devem estar presentes em todos os dias do ano, não
especificamente em um.
“Se o Senhor tivesse considerado este conhecimento essencial para a
nossa salvação, Ele Se teria pronunciado através de Seus profetas e apóstolos,
para que pudéssemos saber tudo a respeito do assunto. Mas o silêncio das
Escrituras sobre este ponto dá-nos a evidência de que ele nos foi ocultado por
razões as mais sábias.” O Lar adventista, p. 477.
Em nossa mente veio
a pergunta. “Mas, que mal há? Não podemos seguir o costume em que fomos
criados? Que problemas estariam envolvidos no costume da troca de presentes, no
reencontro familiar em torno da mesa com tantos alimentos, etc.?
Voltando à Palavra
de Deus, observa-se que a chave estava na questão do “costume”, ou seja, da
“tradição”. O que diz Deus sobre nossas tradições?
“Tende cuidado,
para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo
a tradição dos homens
, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo
Cristo” Colossenses 2:8.
“E assim invalidastes,
pela vossa tradição, o mandamento de Deus.
…Este povo se aproxima de Mim
com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de
Mim. Mas, em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens”
Mateus 15:6, 9.
“Sabendo que não
foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa
vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais” 1 Pedro
1:18.
É o propósito
divino que deixemos as nossas tradições e sigamos os costumes do Céu. Fomos
resgatados com o precioso sangue de Cristo para vivermos no centro da vontade
divina.
Buscando conhecer
melhor a tradição do Natal, descobrimos alguns dados interessantes:
Quando foi instituída a comemoração do
Natal? 
De acordo com a
Enciclopédia Britânica de 1946 e a Enciclopédia Americana de 1944, a festa não
foi observada pelos cristãos primitivos durante os primeiros três séculos da
nossa era. Teve origem no século IV, por instituição da Igreja Católica
Apostólica Romana.
O dia 25 de
dezembro está ligado à festividade da brunária pagã (dia 25), que seguia a
Saturnália (17-24 de dezembro) celebrando o dia mais curto do ano e o “Novo
Sol” – “Natalis Solis Invcti” (O Nascimento do Sol Invencível). Com a aprovação
dada por Constantino para a guarda do domingo (321 a.C.), dia em que os pagãos
adoravam o Sol, em contraposição ao sábado bíblico, e como a influência do
maniqueísmo apontava o filho de Deus como o Sol estelar, esses pagãos do século
IV, agora “convertidos” em massa ao “cristianismo”, encontraram o argumento
necessário para denominar a festa de 25 de dezembro (dia do nascimento do
deus-Sol) de dia do nascimento do filho de Deus. As autoridades cristãs fizeram
a escolha desta data, que foi mais tarde reconhecida pelo Papa Julius I (337
-352).
O prof. Rainer
Sousa, Historiador, faz a seguinte analogia: “Com a oficialização do
cristianismo no interior do Império Romano, várias destas datas foram
incorporadas com o propósito de alargar o número de convertidos à nova religião
do Estado. Nesse processo, o dia 25 de dezembro foi instituído como a data em
que se comemorara o nascimento de Jesus Cristo. Na verdade, várias analogias
entre as tradições pagãs e os valores cristãos oferecem uma grande proximidade
entre os significados atribuídos a Cristo e as divindades anteriormente
cultuadas.” (http://www.brasilescola.com/natal/historia-natal.htm)
O Natal é,
portanto, a mesma velha festividade pagã de adoração ao Sol em contraposição ao
Deus verdadeiro.
A árvore de natal e os presentes
A origem da árvore
de Natal está ligada a Ninrode, neto de Cão, filho de Noé, o que liderou a
construção da torre de Babel. Seu nome deriva da palavra “Marad” e significa
“aquele que se rebela”. Ninrode se afastou de Deus. Era tão perverso que se
teria casado com a própria mãe, Semíramis! Depois de morto, Semíramis espalhou
que Ninrode sobrevivia como um ente espiritual. Segundo ela, um grande pinheiro
havia crescido de um dia para outro, de um pedaço de árvore morta, que
simbolizava o desabrochar da morte de Ninrode para uma nova vida. Todos os
anos, no dia do nascimento de Ninrode (algumas fontes apontam para o dia 25 de
dezembro), “ele” (um ser espiritual) visitava a árvore e deixava “presentes”
para sua mãe-esposa. Há outras culturas que veneram árvores, como os egípcios
que veneravam palmeiras, os romanos que tinham o Abeto decorado com cerejas
negras durante a Saturnália e os druidas, que tinham o carvalho como sagrado (Walsh Curiosities of popular customs,
pág. 242).
A Enciclopédia
Barsa, v. 11, p. 274, diz: “A árvore de Natal é de origem germânica, datando do
tempo de São Bonifácio. Foi adotada para substituir os sacrifícios ao carvalho
sagrado de Odin, adorando-se uma árvore, em homenagem ao deus-menino.”

Outros paralelos ao
paganismo são que no Egito, [Semíramis e Ninrode] chamavam-se Isis e Osíris; na
Ásia Cibele e Deois, na Roma pagã Fortuna e Júpiter, até mesmo outros países
como a Grécia, China, Japão e Tibete encontra-se o equivalente da Madona, ou na
América do Sul, deusa-mãe virgem Caraíba –muito antes do nascimento de Jesus.
Em Jeremias 10:2-4
está escrito – “Assim diz o Senhor: Não aprendais o caminho das nações, nem vos
espanteis com os sinais do céu; porque deles se espantam as nações, pois os
costumes dos povos são vaidade; corta-se do bosque um madeiro e se lavra com
machado pelas mãos do artífice. Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e
com martelos o firmam, para que não se mova.”
Na Enciclopédia
Britânica, vol.19 páginas 648-649, 11ª edição inglesa, está escrito uma das
prováveis origens dos presentes: “São Nicolau, bispo de Mira (séc. V), era um
santo venerado pelos gregos e latinos no dia 6 de dezembro… A uma lenda de suas
dádivas oferecidas às escondidas, de dotes, às três filhas de um cidadão
empobrecido…” Daí teria surgido a prática de se dar presentes “às escondidas”
no dia de São Nicolau (6 de dezembro). Mais tarde o costume foi vinculado às
festividades do dia 25 de dezembro.
Além da tradição,
atualmente o costume de presentear virou grande apelo ao consumismo e
egocentrismo, totalmente opostos ao espírito cristão. Movem um sistema
econômico que vai em sentido oposto às verdadeiras necessidades das pessoas.
E os sábios do
oriente, não introduziram o costume de presentear ao levarem as dádivas a
Jesus?
Os presentes
levados evidenciavam apenas de que O reconheciam como rei. Seguindo o costume
da época, levaram presentes a uma autoridade, assim como a rainha de Sabá levou
presentes a Salomão. Portanto, não fizeram nada de novo. Ressalta-se apenas que
levaram presentes PARA Jesus.
Temos a orientação
profética, conforme está no livro O Lar
Adventista
, sobre a árvore e os presentes:
“Deus muito Se
alegraria se no Natal cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual
pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto. Têm chegado a
nós cartas com a interrogação: Devemos ter árvores de Natal? Não seria isto
acompanhar o mundo? Respondemos: Podeis fazê-lo à semelhança do mundo, se
tiverdes disposição para isto, ou podeis fazê-lo muito diferente. Não há
particular pecado em selecionar um fragrante pinheiro e pô-lo em nossas
igrejas, mas o pecado está no motivo que induz à ação e no uso que é feito dos
presentes postos na árvore” O Lar
Adventista,
p. 482.
Sobre a declaração acima, que demonstra claramente a oposição em formato
e motivação aos costumes anteriormente mencionados, vemos que a árvore em seu
estado natural, como criação de Deus, foi o único objeto que foi mencionado
como podendo ser aplicado em nossas igrejas. Exclusivamente nossas ofertas e
dádivas aos necessitados devem adorná-los.
Faria sentido em
uma comemoração de aniversário dar presentes aos convidados? Parece estranho.
Cristo falou que quando fizéssemos a qualquer um dos pequeninos, ou aqueles que
necessitam, estaríamos fazendo a Ele mesmo. Isso faz sentido, porque estamos
presenteando a Pessoa certa.
Há ainda outros
símbolos, mas nenhum deles foi sancionado para estar em nossos lares. As velas
faziam parte do ritual para reanimar o deus sol, sendo acendidas ao ocaso,
quando o sol se extinguia para dar lugar à noite. As bolinhas de enfeite
tiveram a origem nos cultos a Baal, quando após os sacrifícios de crianças
meninas, suas cabeças ensanguentadas eram penduradas na árvore. Compare a
analogia das bolinhas vermelhas com lacinhos – muito macabro. As guirlandas, ou
coras verdes, são sinônimos de memorial de consagração. Frederick J. Haskins em
seu livro Answer to Questions: 

”A
guirlanda remonta aos costumes pagãos de adornar edifícios e lugares de
adoração para a festividade que se celebrava ao mesmo tempo do atual Natal.”
Elas eram sinônimos de portas de entrada ao espíritos ou locais consagrados às
deidades. Que triste vermos esse símbolo em portas de lares cristãos! Existe
apenas uma guirlanda na Bíblia e esta foi feita de espinhos, como símbolo de
escárnio, para colocar na cabeça de Jesus no dia de sua morte. Não simboliza nenhuma celebração.
E a tão esperada Ceia de Natal? O que estaria envolvido neste momento considerado tão especial? Além da origem não cristã e da prática de excessos, devemos nos lembrar de que os princípios de cuidado do corpo e da mente como templo do Espírito Santo são aplicáveis a todos os dias do ano, sem exceções nos feriados. Além do grande tempo e dinheiro despendidos nos preparativos para a ceia, os alimentos tradicionais não correspondem aos indicados por Deus. A quantidade, a variedade excessiva e o horário da meia-noite também não promovem restauração da saúde. Uma refeição simples, no horário correto e com os alimentos que Deus indicou seria um testemunho para os amigos e familiares que não conhecem Jesus.
Depois de tantas
considerações, chegamos à pergunta prática: Afinal, como cristãos fiéis no
final da história deste mundo, deveríamos ou não despender nosso tempo com as
festividades natalícias?
Deus nos apresenta
os princípios e nos dá mentes inteligentes para aplicarmos o princípio em cada
situação do cotidiano. Por isso não precisou fazer uma lista com todas as
regras.
Primeiramente, não
apenas atentamos ao que pode ser bom
ou louvável, mas aquilo que é essencial
à nossa salvação e ao cumprimento da missão. Outro princípio é o de Filipenses
4:8 – Deus quer que nossa mente se ocupe com o que há de melhor!
Vamos, então, ao
claro “assim diz o Senhor”: “As festividades de Natal e Ano Novo podem e devem
ser celebradas em favor dos necessitados. Deus é glorificado quando ajudamos os
necessitados que têm família grande para sustentar.” — Manuscrito, 13, 1896, e
Lar Adventista, p. 482.
Por tudo o que
descobrimos, vimos que o Natal conforme o conhecíamos não

está em harmonia com
o modelo de Deus para nós. Não podemos seguir as tradições que conhecemos até
aqui. Porém, não deixa de ser uma oportunidade que pode ser usada para honrar o
Seu nome. O Natal, à semelhança de outras festas populares, como a Sexta-Feira
Santa, pode ser uma oportunidade apropriada para apresentar o Senhor Jesus num
momento em que muitos corações estão propensos a isso.

Nossa pequena cantata
na casa de vizinhos
No ano passado
decidimos experimentar um Natal com a aplicação desses princípios. Sem ceia, sem enfeites ou troca de presentes, fomos em família às casas de nossos amigos e vizinhos aqui do sítio, cantando hinos de
louvor a Deus e dizendo o quanto eram importantes para nós. Levamos palavras de
conforto a uma família com o filho doente e procuramos estender a eles a paz
que sentíamos e que o mundo não pode dar, a paz de Cristo.
Lendo a Palavra de Deus
aos amigos visitados
Em cada lar pudemos
ler a Palavra de Deus e orar com eles. Fomos muito abençoados com essa
experiência. Nosso propósito era levar a verdadeira mensagem do Natal.
Deus nos
comissionou a dar ao mundo uma mensagem para este Natal – assim como para todos
os dias: “Há muitas verdades preciosas contidas na Palavra de Deus, mas é da ‘verdade presente’
que o rebanho necessita agora. …O santuário, em conexão com os 2.300 dias (Dn
8:14), os mandamentos de Deus (Êx. 20:3-) e a fé de Jesus (Ap. 14:12).
…Esses, tenho frequentemente visto, são os principais assuntos sobre que os
mensageiros se devem demorar.” Primeiros Escritos, p. 63. Não é só uma mensagem
de Natal, mas para ser dada todos os dias, todo o tempo, até a vinda de Jesus.
Aproveite o tempo
que Deus lhe conceder. Comece hoje mesmo. Continue amanhã, depois e depois. Comece
já a se preparar para o próximo ano. Todos os dias podemos presentear quem é de
direito, o Senhor Jesus, com o melhor presente – um coração convertido,
agradecido, obediente e pronto a seguir o Seu exemplo em pensamentos, palavras
e ações, especialmente em ministrar em favor de todos os corações aflitos e
necessitados.

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