Você é uma árvore infrutífera?

Árvores infrutíferas
retiradas de nosso pomar

Uma
das primeiras coisas que fizemos logo que nos mudamos para o Ararat foi tentar
recuperar o pomar que já existia aqui. Tratava-se de um pomar com árvores pouco ou nada produtivas, mas que esperávamos que com atenção e cuidado extras voltassem a frutificar.

Foram várias tentativas. Colocamos calcário, adubo
orgânico, podamos os galhos fracos, tiramos as plantas parasitas dos troncos e
assim por diante. Repetimos esse processo algumas vezes, mas sem sucesso. As
árvores tinham folhas aparentemente saudáveis, mas simplesmente não frutificavam.
Ainda assim não queríamos descartá-las. Fizemos mais algumas tentativas, mas
sem resultado. O processo todo levou alguns anos. Fizemos tudo o que estava ao
nosso alcance para recuperar as árvores, mas finalmente não nos restou outra
alternativa a não ser arrancá-las, para nossa tristeza. Assim, contratamos os
serviços de uma retroescavadeira que em poucas horas arrancou todas elas pela
raiz. Os anos de tentativa de recuperação foram em vão. As árvores foram
arrancadas e o espaço liberado para o plantio de árvores saudáveis.

Ao
observar aquelas árvores infrutíferas empilhadas em um canto do pomar para
serem queimadas, uma parábola proferida por Jesus veio-me à mente. Essa
parábola está registrada em Lucas 13:6-9 e diz assim: “Um certo homem tinha uma
figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando; e disse
ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não
o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele,
disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; E, se
der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar.”
A
princípio essa parábola simboliza o antigo povo de Israel, que depois de abusar
da misericórdia divina por mais de um milênio foi finalmente representado pela figueira
infrutífera. Ainda assim, Deus não o rejeitou. Estava disposto a dispersar-lhe
maior atenção, oferecendo-lhe mais uma chance de arrependimento. Na ocasião,
Cristo não revelou o resultado da obra do jardineiro da parábola, pois ele
dependia totalmente da decisão do povo. Infelizmente, porém, sabemos que com a
rejeição de Cristo a nação não respondeu aos cuidados especiais do divino Jardineiro,
permaneceu estéril e perdeu o privilégio de ser a nação escolhida por Deus para
anunciar o evangelho eterno ao mundo através de seu modo de vida.
A
parábola da figueira infrutífera, no entanto, não simboliza apenas a nação
judaica. Nela há uma lição para nós hoje também. Leia o que está escrito em O Desejado de Todas as Nações, página
587: “A nação judaica era um símbolo do povo de todos os séculos, que desdenha
os rogos do Infinito Amor. As lágrimas de Cristo, ao chorar sobre Jerusalém,
foram derramadas pelos pecados de todos os tempos. Nos juízos proferidos contra
Israel, os que rejeitam as reprovações e advertências do Santo Espírito de Deus
podem ler sua própria condenação. Há nesta geração muitos que estão trilhando o
mesmo caminho dos incrédulos judeus. Testemunharam as manifestações do poder de
Deus; o Espírito Santo lhes falou ao coração; apegam-se, porém, a sua
incredulidade e resistência. Deus lhes envia advertências e repreensões, mas
não querem confessar seus erros, e rejeitam-Lhe a mensagem e o mensageiro. Os
próprios meios que Ele emprega para sua restauração, tornam-se para eles em
pedra de tropeço.”
Uma
triste advertência para todas as árvores infrutíferas. Árvores que “observam
formas de culto, mas sem arrependimento nem fé”. Árvores que “em profissão,
honram a lei divina, mas faltam na obediência” (Ibid., p. 584).
Deus
desejava que o povo de Israel fosse uma referência em todos os aspectos da vida
para o restante do mundo. Desejava que fossem modelos de consagração a Deus,
saúde, educação, vestuário, vida em família, piedade, abnegação e assim por
diante. Propôs aos israelitas viver o Seu plano aqui na Terra e através desse
estilo de vida totalmente diverso das outras nações, atrair a atenção dos
pagãos para o evangelho que transforma o caráter. Israel aceitou o honrado
convite, assim como o segundo filho da parábola dos dois filhos (Mateus
21:28-31), mas deixou de cumprir sua missão ao buscar um comportamento cada vez
mais semelhante ao das nações pagãs. Com o tempo, sua existência deixou de
ser relevante, pois seu comportamento diferia muito pouco do restante do mundo.
Sua relação com Deus limitou-se apenas à observância rigorosa de formas vazias
de culto. Não havia mais espaço no coração para a atuação do Espírito Santo.
Como nação, o israelitas rejeitaram os profetas de seu tempo, as advertências,
os chamados ao arrependimento e se tornaram árvores infrutíferas. Israel perdeu
a chance de fazer a diferença e honrar o nome de Deus através da obediência e submissão
à Sua vontade.
Deus
faz o mesmo convite ao Seu povo hoje, o Israel espiritual, formado por todos
aqueles que guardam os Seus mandamentos e a fé de Jesus (Apocalipse 14:12). Ele
deseja que esse povo faça a diferença nesse mundo corrompido por seis mil anos
de pecado. Sonha com um povo que seja totalmente separado, diferente, sem qualquer
semelhança com o mundo em todos os aspectos, isto é, na saúde, no vestuário, no
modo de agir, na forma de educar os filhos, na maneira de tratar o cônjuge, nos
objetivos, na relação com o próximo, naquilo que ouve, vê, fala e assim por diante. Ele não quer um povo
que seja um pouco diferente, ou diferente em alguns aspectos, mas totalmente
separado, vivendo Seu plano e estilo de vida em cada detalhe para a
transformação do caráter e para testemunho às nações. Para isso, Ele deixou
conselhos, instruções e orientações e disponibilizou o Seu próprio poder,
através do Espírito Santo, para todos que pedirem. Aceitaremos o convite?
Responderemos ao tratamento intenso que o divino Jardineiro tem empregado em Seu pomar? Que Deus nos ajude a sermos árvores saudáveis e repletas de frutos
para a Sua honra e glória.

“Em sua apostasia, o ser humano alienou-se de Deus. A separação é profunda e terrível, mas Cristo fez provisão para religar-nos a Ele. O poder do mal está tão identificado com a natureza humana, que ninguém pode vencê-lo, exceto pela união com Cristo. Através dessa ligação recebemos poder moral e espiritual. Se temos o Espírito de Cristo, produziremos o fruto da justiça, que abençoará aos outros e glorificará a Deus” (E.G.W., Reavivamento Verdadeiro, p. 41).

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