Daniel: homem santo em meio a glutonaria

Muitas pessoas acreditam que santificação é um estágio na vida cristã: ao alcançá-lo, estamos diplomados como santos. Outros acreditam em santificação instantânea: num momento de nossa vida somos radicalmente e automaticamente transformados e passamos a viver uma nova vida, como num passe de mágica.
Para descobrir o que de fato é santificação, observe 1 Tessalonicenses 5:23: “Que o próprio Deus da paz os santifique inteiramente. Que todo o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam preservados irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Santificação é viver de forma dedicada a Deus, inteiramente. A santificação, então, passa a ser o estilo de vida do cristão. Ela afeta todas as áreas de nossa vida: física, mental e espiritual. Santificação é nos apropriarmos da vontade de Deus em nossa vida, e viver em inteira conformidade com Sua vontade. Embora Deus opere a santificação em nossa vida, cabe a nós permitirmos que ela ocorra, renunciando a certas coisas que nos afastam de Deus e de Sua vontade.
Além disso, a verdadeira santificação não consiste em emoções. Há uma tendência de pensarmos que quando estamos satisfeitos, realizados ou felizes, estamos santificados. Porém, a santificação é uma obra diária, não momentânea, e durará enquanto durar nossa vida.
Há na Bíblia um personagem que ilustra muito bem o que significa santificação: Daniel.
Daniel ainda era jovem quando, dentre os israelitas que foram levados cativos à Babilônia, foi selecionado para servir na corte do rei. Certamente, naquele ambiente pagão em que estava, sofreu muitas tentações. Entretanto, em cada momento, buscou a santificação, tentou viver conforme a vontade de Deus; e é possível ver o quanto ele foi recompensado.
Na Bíblia, em Daniel 1:5-7, diz: “De sua própria mesa, o rei designou-lhes uma porção diária de comida e de vinho. Eles receberiam um treinamento durante três anos, e depois disso passariam a servir o rei. Entre esses estavam alguns que vieram de Judá: Daniel, Hananias, Misael e Azarias. O chefe dos oficiais deu-lhes novos nomes: a Daniel deu o nome de Beltessazar; a Hananias, Sadraque; a Misael, Mesaque; e a Azarias, Abede-Nego”. Esse era o ambiente em que Daniel estava. Ellen G. White diz que na mesa do rei eram servidos inúmeros alimentos impuros, inclusive carne de porco. Naquele momento, qual foi a decisão de Daniel? Ela está descrita no verso 8: “Daniel, contudo, decidiu não se tornar impuro com a comida e com o vinho do rei, e pediu ao chefe dos oficiais permissão para se abster deles.”
Dessa forma, fica claro que a santificação é uma decisão consciente de nossa parte: eu devo decidir viver de acordo com a vontade de Deus. A santificação com minha escolha de aceitar a vontade de Deus em minha vida. A santificação começa quando decido ser santo.
Tanto quanto nós, Daniel foi severamente provado. Porém, Daniel fazia da oração uma necessidade: por meio da oração, buscava o poder e auxílio de Deus, e o fazia em todas as situações de sua vida. Para que o processo de santificação seja contínuo é necessário desenvolvermos um relacionamento com Deus, que ocorre por meio da oração e estudo de Sua palavra. Se não contemplarmos o exemplo, como desejamos ser semelhantes a Ele? Se não nos relacionamos com Ele, como desejaremos fazer Sua vontade?
Quando o processo de santificação é iniciado, todo nosso ser passa a ser moldado: hábitos, palavras, temperamento, estilo de vida… Tornamo-nos dependentes de Deus e, confiando plenamente nEle, somos levados à falar dele às outras pessoas.
Veja o que diz em Daniel 1:11-16: “Disse então ao homem que o chefe dos oficiais tinha encarregado de cuidar dele e de Hananias, Misael e Azarias: ‘Peço-lhe que faça uma experiência com os seus servos durante dez dias: não nos dê nada além de vegetais para comer e água para beber. Depois compare a nossa aparência com a dos jovens que comem a comida do rei, e trate os seus servos de acordo com o que você concluir.’ Ele concordou e fez a experiência com eles durante dez dias. Passados os dez dias, eles pareciam mais saudáveis e mais fortes do que todos os jovens que comiam a comida da mesa do rei. Assim o encarregado tirou a comida especial e o vinho que haviam sido designados e em lugar disso lhes dava vegetais”.
A santificação deve nos aproximar de Deus, dando-nos um conhecimento de quem Ele é. Essa proximidade nos leva a testemunhar e desafiar aos descrentes, que começam a enxergar o poder de Deus em nossa vida, como fez Daniel.
Nessa passagem também vemos que o processo de santificação moldou os hábitos de Daniel: ele conhecia qual estilo de vida era benéfico à sua saúde, e o adotou. Veja alguns trechos do livroSantificação, página 16, de Ellen G. White, que fala sobre este assunto:
“A vida de Daniel é uma inspirada ilustração do que constitui um caráter santificado. Ela apresenta uma lição para todos, e especialmente para os jovens. Uma estrita submissão às reivindicações de Deus é benéfica à saúde do corpo e do espírito. A fim de atingir a mais elevada norma de aquisições morais e intelectuais, é necessário buscar sabedoria e força de Deus e observar estrita temperança em todos os hábitos da vida. Na experiência de Daniel e seus companheiros, temos um exemplo da vitória do princípio sobre a tentação para condescender com o apetite. Ela mostra que, por meio do princípio religioso, os jovens podem triunfar sobre as concupiscências da carne e permanecer leais às reivindicações divinas, embora lhes custe grande sacrifício.
Que seria de Daniel e seus companheiros se se tivessem comprometido com aqueles oficiais pagãos e cedido à pressão da ocasião, comendo e bebendo como era costume entre os babilônios? Aquele único exemplo de desvio dos princípios lhes teria debilitado a consciência do direito e da aversão ao mal. A condescendência com o apetite teria envolvido o sacrifício do vigor físico, a clareza do intelecto e o poder espiritual. Um passo errado teria, provavelmente, levado a outros, até que, interrompendo sua conexão com o Céu, teriam sido arrastados pela tentação. ”
Neste mesmo livro, na página 17, Ellen G. White também nos adverte quanto ao cuidado que é preciso ter com a saúde:
“Proíbe toda satisfação prejudicial do apetite ou paixão. Que ninguém, dentre os que professam piedade, considere com indiferença a saúde do corpo e se lisonjeie pensando que a intemperança não seja pecado e que não afetará sua espiritualidade. Existe uma íntima relação entre a natureza física e a moral. Qualquer hábito que não promova a saúde, degrada as mais elevadas e nobres faculdades. Hábitos errôneos no comer e beber, conduzem a erros no pensar e agir. A condescendência com o apetite fortalece as propensões animais, dando-lhes a ascendência sobre as faculdades mentais e espirituais. É impossível a qualquer pessoa desfrutar da bênção da santificação enquanto é egoísta e glutona.”
Com a santificação, nossa mente é transformada: “Ao final do tempo estabelecido pelo rei para que os jovens fossem trazidos à sua presença, o chefe dos oficiais os apresentou a Nabucodonosor. O rei conversou com eles, e não encontrou ninguém comparável a Daniel, Hananias, Misael e Azarias; de modo que eles passa­ram a servir o rei. O rei lhes fez perguntas sobre todos os assuntos que exigiam sabedoria e conhecimento, e descobriu que eram dez vezes mais sábios do que todos os magos e encantadores de todo o seu reino.” Daniel 1:18-20. Deus concedeu sabedoria extraordinária a Daniel e seus amigos em função de viverem uma vida santificada.
Diante dos exemplos, fica evidente que experimentaremos os resultados de um relacionamento genuíno com Deus quando permitirmos que ele santifique nossa vida e opere as transformações necessárias. Não deixemos que coisas pequenas interfiram em nosso relacionamento com Deus e em nosso crescimento espiritual.
Foi por permitir isso que Daniel teve uma fé tão grande que lhe permitiu manter-se firme e leal a Deus enquanto esteve em Babilônia.


Por Tatiana Cornieri – Portal Tudo para Vegetarianos

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