Os gansos e os homens

Que criaturas curiosas, esses gansos do Ararat!
Faz cerca de dois anos ganhamos de um amigo um casal de gansos canadenses. Davidson e Karina apelidaram o macho de Capitão Von Trapp. Ano passado os Von Trapp criaram uma gansinha que hoje é uma jovem adulta. Depois ganhamos de vizinhos outros quatro gansos (desses, somente um macho, chamado Gianecchini), e esse grupo é rival dos primeiros. Este ano a família Von Trapp teve mais uma cria que está passando pela puberdade. Gianecchini teve dois bebês, um dos quais está com dois dias, é amarelinho e pia como um patinho de brinquedo desses que a gente põe na banheira dos nenês humanos. Dez gansos, ao todo.

Quando a família Von Trapp chegou, não saía do lago e suas imediações. Vocês sabem, os gansos pastam, comem grama e outras plantinhas, mas também gostam de milho e são loucos pela ração dos peixes. Todos os dias de manhãzinha Mauro descia até o lago para levar milho. Os Von Trapp aceitavam a comida, mas somente de longe. Pareciam estar sempre de mau humor.
Chegou o dia, depois de meses, que eles vieram nos visitar, digo, vieram pastar no gramado dos arredores da casa, o que se tornou um costume. Quando Gianecchini mudou-se para o Ararat com a comitiva, logo aderiu ao programa. Descobriu que nossa grama era um pasto muito apetitoso, e mais: que recebiam aqui religiosamente, boa porção de milho pela manhã e pela tarde. É gostoso ver esses lindos animais passeando perto da casa.

Acham vocês que nossos gansos recebem o milho com alegria como um cachorro ou mesmo um gato recebem o carinho do dono? De jeito nenhum! Mostram a língua, grasnam, abaixam o pescoço em posição de ataque. Eles já nos conhecem faz tempo, sabem que vamos tratá-los. Têm tanta certeza disso que até pedem, nos acordando pela manhã com uma gritaria imensa, o que também fazem ao final da tarde, ao que o Mauro responde sempre: “Meus clientes já chegaram, deixe-me alimentá-los”.

Eu nunca fui lá no lago, onde eles moram, dizer desaforo para eles, em contrapartida, eles invadem o meu terreno deixando penas brancas por todo o gramado, estão cada dia mais ousados, chegando a comer as flores da minha jardineira, e quando chego perto, os mesmos maus tratos de sempre. No entanto, todos os dias comem aquilo que nós providenciamos.
Por vezes penso que muitos dos professos filhos de Deus são como os gansos. Reputam Satanás como inimigo, falam mal de seu caráter e obra, pensam estar lutando contra ele na força de Deus, quando lutam contra miragens e sem o Espírito; porém a cada dia mais se aproximam do trono das trevas. Continuam dizendo “não te pertenço, sou de Cristo”, mas aceitam alimentar-se material e espiritualmente daquilo que os tornará, a cada escolha, mais dependentes de um senhor cruel. Chegam a tal ponto de buscar aquilo que só trará ruína e degradação.

Tenho meditado nisso e orado a Deus para que me livre desse mal. Avalie se a sua dependência é de Cristo e de suas promessas ou não. Jesus é fiel. Ele promete dar o colírio que abre os olhos da consciência a fim de não sermos enganados.

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